Regra
Imagem gerada por IA na propaganda eleitoral: o que a campanha precisa fazer
Identificação visível, tarja com CNPJ, consentimento de quem aparece e o limite entre montagem permitida e fato inventado. Os pontos que costumam virar representação.
14 de agosto de 2026 · 7 min de leitura
Campanha usa imagem sintética desde antes de existir a expressão "inteligência artificial generativa": montagem, recorte, fundo trocado. O que mudou não foi a prática, foi a escala e a verossimilhança. Quando qualquer apoiador consegue produzir uma foto convincente do candidato em dois minutos, a Justiça Eleitoral deixa de tratar o assunto como detalhe de produção.
Este texto reúne, em linguagem de quem executa, os pontos que mais derrubam peça de campanha.
1. Conteúdo gerado por IA tem que estar identificado na própria imagem
A regra prática: quem vê a peça precisa saber que ela foi produzida ou manipulada por inteligência artificial, sem depender de clicar em nada.
Isso tem três implicações que costumam ser ignoradas:
- Não pode ser só na legenda. Imagem circula sozinha. Ela é baixada, encaminhada no WhatsApp e reposta sem o texto original. Identificação que vive fora do arquivo some no primeiro compartilhamento.
- Não pode ser marca d'água apagável. Se dá para recortar e continuar servindo, a identificação não cumpriu função.
- Tem que ser legível no tamanho em que a peça é consumida. Texto de 8 pixels que o Instagram comprime até virar borrão não identifica coisa nenhuma.
Teste rápido: salve a peça no celular, mande para você mesmo no WhatsApp e abra. Se ainda dá para ler que aquilo é gerado por IA, está resolvido.
2. A tarja de propaganda é obrigação separada
Identificar que a imagem é sintética não substitui a identificação da propaganda. São duas coisas diferentes e ambas precisam estar na peça:
| O quê | Responde |
|---|---|
| Selo de IA | Como esta imagem foi feita |
| Tarja de propaganda | Quem pagou e quanto custou |
A tarja carrega o CNPJ do responsável pela contratação e o valor. Em peça digital ela vive dentro da imagem, pelo mesmo motivo do item anterior: o arquivo viaja sem a postagem.
O erro que quase toda campanha comete
Sobrepor a tarja em cima de arte que já foi aprovada. Quando a gráfica entrega o layout com o número do candidato na borda ou uma faixa no rodapé, jogar a tarja por cima cobre elemento aprovado — e às vezes cobre justamente o número.
O jeito certo é acrescentar: a peça cresce e ganha uma faixa própria, sem que um pixel da arte original seja encoberto. Em peça vertical, uma coluna lateral resolve; em peça horizontal, uma faixa no rodapé.
3. Quem aparece na imagem precisa ter autorizado
Se a peça usa o rosto de um eleitor, esse rosto é dado pessoal e a imagem é dado biométrico. Três consequências operacionais:
- Consentimento antes do envio, não depois. A pessoa precisa saber para que a foto vai servir antes de mandar.
- Confirmação de idade. Imagem de criança e adolescente em propaganda eleitoral tem regime próprio e restritivo — o caminho seguro é não aceitar.
- Descarte da foto original em prazo curto. Guardar selfie de eleitor depois de entregar a peça é passivo sem contrapartida. E ela não deve alimentar treinamento de modelo.
4. Montagem é permitida. Fato inventado, não.
Aqui mora a linha mais fina, e é a que gera as representações mais caras.
Uma peça que mostra o eleitor ao lado do candidato, identificada como gerada por IA, é composição gráfica — a mesma natureza de uma fotomontagem de banner, com a tecnologia trocada. O que ela não pode fazer é afirmar um encontro que não houve, uma agenda que não existiu ou um apoio que não foi dado.
Na prática, três guardas:
- Cenário genérico, não evento datado. Um fundo de cidade não afirma nada. O palanque de um comício específico afirma.
- Nada que simule terceiro real sem autorização. Colocar adversário, autoridade ou celebridade na peça é outro problema, e maior.
- Nenhuma legenda que transforme montagem em notícia. "Estivemos juntos ontem" numa imagem composta é o que converte material regular em desinformação.
5. Checklist antes de a peça circular
- Selo de IA visível na imagem, legível depois de compressão
- Tarja com CNPJ e valor, acrescentada sem cobrir a arte aprovada
- Consentimento e confirmação de idade registrados antes do envio
- Foto original com prazo de descarte definido
- Cenário que não afirma evento, data ou encontro
- Nenhum terceiro identificável sem autorização
- Formato e medidas corretos para a rede de destino
Por que isso importa mais em mídia espontânea
Quando a campanha produz dez peças, um estagiário confere as dez. Quando são dez mil apoiadores gerando a própria peça, conferência manual deixa de existir. A conformidade tem que estar no processo, não na revisão.
Quer isso resolvido no processo, não na revisão?
O Santinho Digital entrega a peça com identificação de IA, tarja legal e consentimento registrado — em cada foto que o eleitor gera.
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Santinho Digital